Noite em uma praça-forte qualquer

Ei, pare logo aí. Vire-se.

– o transeunte vira-se calmamente, com seus braços abaixados.
seu sobretudo esconde seu corpo e a sua face demonstrava um olhar distante. –

Eu não lembro do senhor.
Não me parece que mora por aqui.
Você deve saber que este pátio é um lugar reservado
e não tem a permissão de trafegar neste local.
Aonde está indo?

Eu sigo por aí.
Não esperava que me reconhecesse.
A minha casa, eu há tempos abandonei.
Gostaria de dizer a você para onde iria,
mas isto não está sob meu controle.

Então você já morou aqui?
O que faz aqui nesta noite?
Está frio e o sereno acaba com a animação de qualquer um.
Se não fosse o meu dia de patrulha,
com certeza, eu não estaria por aqui.

– puxou um cigarro do bolso e tentou acendê-lo com um isqueiro.
a brasa estava sendo abafada pelo vento e pela umidade
mas ele pôs-se a tragar como se estivesse fumando normalmente. –

Hoje a noite, eu espero.
Quero apreciar vagarosamente mais esta noite
porque amanhã, estando vivo ou morto, já não estarei mais aqui.

A vida é curta e a minha é mais curta ainda.
Aqueles que têm o direito de vivê-la segundo o seu próprio tempo
não sabem tamanha dádiva que receberam.
Por isto eu vago por aí,
tento delongar a minha história,
evadindo o meu fatídico fim.

Mas o que é isto que tanto teme?
Você realmente tem a expressão de alguém que está preocupado.

Temor? Não, não.
O medo provém da nossa ignorância
e eu sei muito bem como eu irei morrer.
Já quanto ao olhar de preocupação, não está enganado.

O tempo está passando.

– bate no antiquado poste a gás,
abrindo uma pequena gaveta de onde ele retira um papel dobrado. –

E eu preciso arranjar uma maneira
de preparar tudo antes da alvorada final.

– com o cigarro em boca já apagado,
mistura-se às sombras da noite em passos longos e lentos.-

É cada um que me aparece por aqui.
Vai entender…

– enquanto isto a chama no lampião da praça pouco a pouco se extinguia, como se interagisse com todo aquele sinistro que anunciava-se aquela noite. –

13 de junho de 2013
Luiz Felipe Urias dos Santos

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Vi-venci-ei

Foi-se o tempo
Foi-se a confiança
Trouxe o destino
A certeza de mudança

E neste fazer diferente
Surge nova necessidade
De ser e sentir, ver e crer
E assim criar nova identidade

Pode ser que amanhã será
O dia pelo qual tanto esperei
Se não for, amanhecerá
Outra experiência eu criarei

Um dia igual a todos outros
Um tempo que já se foi
Um tesouro que não é ouro
Hasta Jimon, yo me voy

15 de julho de 2015
Luiz Felipe Urias dos Santos

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Gana e Ganância

Tornou-se intrépido
De amargor, tortura
Permaneceu quieto
Sem cor, linha, textura

A manhã, a tarde adia,
Faz calor, já é meio-dia
Correndo, o tempo voa
E aqui estou, (vivo) numa boa

[…]

Pois não, senhor? Em que posso ajudá-lo?
Gostaria de comprar este sapato?
Ou levar para a esposa um belo casaco?

Dinheiro vai e vem,
No meu caso já se foi.
Como sobreviver serei capaz?
Sem mendigar, ou roubar?

Neste mundo codinome dinheiro:
Do popular barato ao oito cilindros,
O valor nos move. Valor sem importância.
Não há ninguém vivo sem ganância
Que viva capaz de conter a inveja
Não vejo ninguém que ao bom céu (ou terra) almeja

4 de junho de 2010
Luiz Felipe Urias dos Santos

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O meu caminho – Contos de um andarilho

O meu caminho

Prólogo

O meu professor uma vez me disse que toda grande descoberta nasce de uma pequena pergunta. Se ele está certo ou não eu ainda não sei, muitas coisas eu tenho que descobrir até conseguir uma resposta sobre isto.

Bem, hoje eu te contarei uma história, mas para que você possa entendê-la, e meus motivos, antes eu preciso lhe fazer uma pergunta simples. Fique tranquilo, acho que não irá lhe tomar muito tempo. Vamos lá:

– Quem é você?

Fácil, não é? Acredito que todos nós já nos perguntamos algo similar. A nossa resposta já está pronta.

Se eu fosse tentar adivinhar como você respondeu à pergunta, diria que você, talvez, tenha pensado prontamente no seu nome. Ora, mas esta não é a resposta que satisfaz a questão. Eu não quero saber o seu nome, preciso saber quem você é.

Vou tentar te ajudar: o lugar onde nasceu, a sua idade, de quem você descende, como você age, como se comporta, a sua etnia, condição genética ou aparência, a sua profissão, as coisas que você gosta ou quer, os seus hábitos ou suas experiências. Nada disto lhe foi perguntado. Esta pergunta pede por uma resposta diferente.
Diga:

– Quem é você?

Pode estar pensando em coisas mirabolantes neste momento. Mas lembre-se de que uma pergunta simples exige uma resposta simples. Não costuma-se dizer que a soma de dois com dois seja igual a raiz quadrada de dois elevada a quarta potência, embora possa ser equivalente à resposta. Para estar correto plenamente precisa-se de simplicidade.

   “Eu sou o que sou! Achei esta resposta antes mesmo das outras,” – rindo – “pergunta idiota.”

Vejamos… A sentença plenamente satisfaria a questão e faz completo sentido. Ser o que é, sem devaneios, direto e certeiro. Também cheguei a esta conclusão e fiquei feliz por um tempo pois estava tudo lá. Eu bem aceitaria esta resposta, se ao menos ela fosse verdadeira.

Não me entenda mal, você não é o que você é e sabe muito bem disto. Se o que ocorre conosco não sofresse tanta influência do ambiente, esta seria uma solução aceita.

Então qual é a solução?

Caso a sua primeira resposta feita em menos de 10 segundos tenha fugido de tudo que foi contestado aqui, então… Meus parabéns. Talvez você tenha conhecimento completo sobre tudo que envolva esta pergunta… Ou talvez não tenha e queira ignorar a verdade e a chance de descoberta. Se a situação corresponde à segunda: tudo bem, vá em frente. A ignorância é bem-vinda para alguns.

No entanto, se deseja saber quem você é, para entender a história e o que aconteceu comigo, convido você a dizer para si e ouvir de si todas as respostas:

– Quem sou eu?

Este relato lhe contará o que eu fiz para que pudesse ter uma resposta a altura desta simples questão. A minha história, o meu caminho.

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Protegido: Felicidade vs. Inteligência

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